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A Rio2016 é muito mais que os esportes

Apesar da opressão, as Olimpíadas são uma importante ferramenta de reivindicação política

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Foi a partir do dia 5 de agosto que o mundo direcionou seus olhos para o Brasil, tudo por causa do início dos jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro. O evento, além do teor esportivo, tem como ideologia unificar as nações mundiais em prol da paz e do convívio social. No entanto, apesar da festa, para gringo ver e aplaudir, o país sede vive um período turbulento, nebuloso e retrógrado política e socialmente. A população brasileira está diante de um processo de golpe, comandado por políticos que reverenciam o descaso com o povo e querem vender nossas riquezas para países que influenciaram nesse processo desleal de tomada do poder.

Desde o afastamento, sem provas concretas, da presidenta Dilma Rousseff em maio deste ano, o governo interino, ou melhor, inelegível de Michel Temer e seus cúmplices passaram a tomar medidas contra todas as camadas da sociedade, sendo os mais pobres a principal vítima. São mudanças drásticas e negativas em relação ao trabalho, saúde, educação, social e até diplomacia externa. Temer não mede esforços para aniquilar um histórico de desenvolvimento ocorrido nos últimos anos, com o objetivo de favorecer unicamente o empresariado, os ricos e os países exploradores que querem nossas riquezas naturais. O golpe foi bem articulado e bem pago, e hoje a população está sentindo na pele, no bolso e nos olhos a execução desse sistema que visa aumentar a diferença social e enriquecer ainda mais os coronéis.

Diante dessa atual situação, as olimpíadas tornaram-se uma oportunidade importante para mostrar ao mundo a luta da população brasileira, que exige a retirada desse governo imprudente e que não representa a democracia. Porém, vale lembrar que os protestos ocorrem há muito tempo no país, articulado por organizações sociais, políticas e sindicais, que batalham para mudar esse cenário obscuro e que não está ao lado do povo.

No dia da cerimônia de abertura da Rio2016, diversas cidades brasileiras realizaram ao mesmo tempo protestos contra esse governo interino. Milhares de pessoas foram às ruas reivindicar seus direitos e exigir o respeito ao voto que elegeu a presidenta Dilma. Na capital carioca, a manifestação iniciou-se em Copacabana e foi até o estádio do Maracanã, local da festa de abertura dos jogos. Nesta data, o mundo pode presenciar não só o teor esportivo, mas também a impopularidade de Temer, que foi vaiado em alto e bom som durante a cerimônia.

Já do outro lado do muro, Michel Temer tem utilizado o modelo de força expressiva para inibir as manifestações. Com atitudes violentas, as polícias brasileiras têm banido os atos populares, por meio de agressões, prisões e censura à liberdade de expressão. Diariamente as redes sociais e veículos independentes de notícias têm mostrado o abuso policial contra os cidadãos, tanto nas ruas quanto dentro das arenas esportivas. São casos como expulsões dos jogos, violência física a indivíduos e tomada de material contra esse governo ilegítimo. Hoje, diante dessa situação, parece que o país teve um retrocesso constitucional, acobertado principalmente por uma imprensa que vem apoiando o golpe.

Junto a esse cenário e aproveitando o período em que as pessoas estão mais atentas aos jogos, Michel Temer tem realizado nos bastidores políticos manobras para ampliar o golpe e reduzir ainda mais os direitos do cidadão brasileiro. Entre as ações, tem a tentativa de acelerar o processo de impeachment definitivo da Dilma, a votação pelo fim do 13º salário, mudanças na aposentadoria, privatizações e a compra de aliados por meio do aumento salarial ao judiciário, assim como o acordo que suspende as dívidas dos estados. Tudo para garantir a sua continuidade no poder, com um processo que amplia o buraco de déficit dos cofres públicos e prejudica os mais pobres do país.

No seu histórico, os jogos olímpicos nunca foram unicamente um encontro de atletas e amantes do esporte, a política também esteve presente neste evento. Como exemplo, as olimpíadas da Alemanha, durante a 2ª Guerra Mundial, foram realizadas com protestos dos próprios atletas contra o nazismo e o genocídio dos judeus. O esporte, assim como a vida, depende da política para viver e tudo está inserido nela.

Vale destacar que a escolha dos jogos no Brasil só ocorreu graças à popularidade mundial de Lula, que realizou trabalhos de apoio social e incentivo a uma nova perspectiva de vida aos cidadãos brasileiros. Já Michel Temer, de forma irônica, apropriou dos jogos olímpicos e com o seu autoritarismo secular tenta esconder a grave situação política que o país se encontra.

As olimpíadas acabam no dia 21 de agosto, mas a luta do povo não. Com sentimentos bastante negativos sobre o aumento do vale entre ricos e pobres, nossa sociedade deve se inspirar nos atletas que superam os desafios para obterem resultados expressivos para suas vidas. Isso porque, o que está em jogo é a vida de todos nós e o futuro de nossos filhos, que poderão deixar de ter oportunidades e o direito à escolha de um futuro melhor. As ruas são nossas forças de expressão e, a partir delas, precisamos mostrar ainda mais que não aceitamos esse governo e queremos a nossa democracia de volta, com direito e deveres a todos. Essa será a medalha de ouro social.