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Entrevista com o ex-ministro Miguel Rossetto

“Trata-se de um golpe parlamentar que busca mudar o resultado do processo eleitoral”

Ex-ministro do Trabalho e Previdência Social no governo de Dilma Rousseff, Miguel Rossetto esteve na tarde deste domingo (28/08) no Acampamento Nacional Em Defesa Democracia e dos Direitos, em Brasília, e falou sobre o momento político do país, destacando os interesses do governo interino sobre a desnacionalização das riquezas do país e retirada de direitos.

“Trata-se de um golpe parlamentar que busca mudar o resultado do processo eleitoral, de uma escolha do povo brasileiro. Um golpe que é um grande instrumento de um programa regressivo, um programa ultraliberal, um programa político reacionário, do ponto de vista dos valores”, afirma Rossetto.

Nesta entrevista à Frente Brasil Popular, o Ex-ministro falou também da proposta de reforma da previdência apresentada por Michel Temer que pretende equiparar a idade de aposentadoria entre homens, mulheres e trabalhadores do campo e da cidade  e elevar a idade mínima para aposentadoria aos 70 anos. “Uma reforma da Previdência que busca isoladamente adotar como critério a idade de 65 a 70 anos significa condenar milhões de brasileiros a trabalhar e não se aposentar nunca”.

 

Confira a entrevista:

Como você lê esse momento fora do tempo que está acontecendo no Brasil?

É um momento de enorme gravidade política, estamos vivendo uma das maiores crises políticas de nosso país, há uma maioria parlamentar que representa uma elite política e econômica do nosso país que busca a partir de amanhã consolidar um golpe político, rasgar a constituição, desrespeitar 54 milhões de votos. Trata-se de um golpe parlamentar que busca mudar o resultado do processo eleitoral, de uma escolha do povo brasileiro. Um golpe que é um grande instrumento de um programa regressivo, um programa ultraliberal, um programa político reacionário, do ponto de vista dos valores. Seguimos resistindo, lutando, é um momento de não aceitar essa postura, essa usurpação do voto popular.

A presidente Dilma vai nesta segunda (29/09) nos representar no Senado, vai falar a partir da imensa maioria que rejeita o Golpe, que diz Fora Temer, esse impostor. Portanto, é hora de seguir com a resistência, que a consciência democrática amanhã se faça presente e nós vamos lutar, como nossos companheiros, senadores e senadoras lutam e lutam muito no Senado.

Nos governos Lula e Dilma você esteve à frente do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário, como vê esse desmonte, esse encerramento do Ministério?

O encerramento do MDA, Previdência, da Cultura e tantos outros mostram uma reorganização do governo, do estado brasileiro, quando um governo acaba com ministérios ele acaba com políticas públicas. Acabar com o MDA significa acabar com as políticas públicas aos agricultores familiares, à reforma agrária, à agricultura familiar, aos pequenos pescadores, a esses milhões de brasileiros que estão no meio rural produzindo e produzindo muito para o nosso país. Acabar com o MDA, portanto, significa acabar com as políticas públicas de apoio a esses brasileiros, agricultores, produtores e significa um ato de concentração da propriedade da produção de nosso país, o que é absolutamente lamentável. Lutar por recuperar o MDA voltado aos agricultores familiares, à reforma agrária, aos pescadores deste país, assim como lutamos pela volta do Ministério da Cultura é assegurar direitos fundamentais do nosso povo.

O Temer, este impostor, representa isso, uma tentativa de rasgar a Constituição de 88, não só naquilo que ela tem de democrático, mas naquilo que ela tem de conquista social do nosso povo, como é o tema da previdência, do acesso à cultura, da agricultura familiar. O Golpe é isso, um instrumento de ataque ao povo brasileiro e instrumento de desnacionalização das riquezas do nosso país.

E qual sua avaliação desta reforma da previdência apontada por Michel Temer?

Uma reforma da Previdência que busca isoladamente adotar como critério a idade de 65 a 70 anos significa condenar milhões de brasileiros a trabalhar e não se aposentar nunca. O mercado de trabalho de nosso país é muito diferente, nós temos brasileiros, especialmente os mais pobres, que começam a trabalhar aos 16 anos e outros aos 30 anos, portanto é muito diferente de outros países, é muito desigual nosso mercado de trabalho porque reflete a desigualdade da sociedade brasileira, por isso é muito importante preservar o critério tempo de contribuição de trabalho com idade. Nós temos regiões inteiras, especialmente o Nordeste e o Norte, que a idade média de vida de um homem é de 66 anos, nós não podemos não reconhecer a desigualdade que existe entre homens e mulheres, nem a desigualdade entre agricultores e trabalhadores urbanos, portanto isso não é uma reforma da previdência. É sempre necessário atualizar a previdência preservando os direitos para assegurar uma previdência sustentável garantidora dos direitos, o que essa turma de golpista quer fazer é tão somente uma reforma fiscal, é deixar de investir recursos nas áreas da previdência, da saúde, da educação e liberar renda pública para os banqueiros, para a usura, para o sistema financeiro do nosso país. Volto a insistir, isto não é uma reforma da previdência, isso é uma reforma fiscal que busca retirar recursos públicos, que asseguram direitos ao povo brasileiro, e assegurar estes recursos aos banqueiros e rentistas, que hoje lucram com essa taxa de juros escandalosa de nosso país, por isso essa reforma tem que ser condenada.

 

Por Bruno Pilon e Flávia Quirino