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Mobilização na cultura continua mesmo que Temer volte atrás na extinção do MinC

Funarte tem 12 sedes ocupadas no país, mas o protesto se tornou uma trincheira contra o golpe. Mesmo assim, o presidente do Senado, Renan Calheiros, defende que governo Temer reveja a decisão

O presidente interino, Michel Temer, pode voltar atrás na extinção do Ministério da Cultura (MinC), mas isso não deverá dissipar a mobilização em defesa da área, que hoje (18) conta com 12 sedes da Funarte no país ocupadas. Além do Rio e São Paulo, as sedes de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Bahia, Sergipe, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Ceará também foram ocupadas entre segunda-feira (16) e ontem.

De acordo com a cantora e compositora Ligiana Costa, integrante da mobilização Ocupa Funarte SP, o protesto já está voltado contra o golpe e vai prosseguir. “Eu sinto que os artistas resistirão ao golpe, com ou sem o Ministério da Cultura”, afirmou. “Mesmo que volte o MinC, até com o Juca (Juca Ferreira, ministro da Cultura até o afastamento de Dilma Rousseff), o golpe já aconteceu. Então, esse é o ponto central. Por isso não colocamos no nosso manifesto a palavra 'MinC'. Não é uma ocupação pedindo a permanência do MinC, mas contra o governo golpista”, disse Ligiana.

A ideia da volta do MinC parece tomar corpo em Brasília. Hoje o presidente do Senado, Renan Calheiros, voltou a defender a recriação da pasta, cuja extinção considerou um erro. “O Ministério da Cultura não vai quebrar o Brasil, mas sua extinção quebrará a nação porque coloniza a sociedade”, afirmou. O senador disse que, em conversa com Temer, sugeriu que o assunto poderia ser resolvido por uma emenda na medida provisória da reforma administrativa (MP 726/16), enviada na última sexta-feira (13) pelo Planalto ao Congresso.

A informação de que Temer poderia rever a extinção também chegou ontem ao protesto realizado no Teatro Oficina. A atriz Camila Mota, ao afirmar que o governo Temer já está considerando a possibilidade de recriação do MinC, disse: "Não tem conversa, é fora, Temer”, afirmou.

“Vamos fazer da cultura uma trincheira para tirar esse governo”, disse também no ato no Oficina o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki. “Vamos fazer cada vez mais mobilização para mostrar que ninguém aceita esse governo”, defendeu. No mesmo evento, o deputado estadual João Paulo Rillo (PT), que atuou na ocupação da Assembleia Legislativa, ao lado dos secundaristas, há duas semanas, considerou que a mobilização na cultura representa o ressurgimento das esquerda, o que torna a intenção do governo de Temer dissipar os protestos ainda mais complicada. “A nova esquerda surge da cultura – mobilização é aqui, neste terreiro, o terreiro da cultura”, afirmou.

“A gente sente que a primeira atitude deste governo foi acabar com o MinC, porque esse ministério tem um papel fundamental, de levar alento para quem não tem nada”, disse a líder do Movimento de Sem Teto do Centro e dirigente da Frente de Luta por Moradia (FLM) Carmen Silva, ao referir-se ao benefício oferecido pelas produções culturais para a sociedade.

Cinco recusas e um nome

O secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Marcelo Calero, será o novo secretário nacional de Cultura. A notícia foi divulgada há pouco. Ele foi convidado ontem e hoje está em Brasília. Seu nome surge depois que cinco mulheres recusaram o cargo a convite de Temer: a jornalista Marília Gabriela, a cantora Daniela Mercury, a antropóloga Cláudia Leitão, a professora da FGV Eliane Costa e a atriz Bruna Lombardi.