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Não há saída sem eleição direta, aponta coletivo da Frente Brasil Popular

Coletivo nacional defende #DiretasJá

Reunido ontem (29) em São Paulo, o coletivo nacional da Frente Brasil Popular reafirmou que não há saída para a crise política brasileira sem que o povo decida quem será o próximo presidente da República.

O coletivo é composto por mais de 80 entidades do movimento social e sindical e a reunião contou com a participação de Rui Falcão, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, e Walter Sorrentino, vice-presidente do Partido Comunista do Brasil, no debate sobre os desafios políticos do atual cenário. Os dois partidos estão engajados na campanha por eleição direta e articulam Frentes mais amplas em tordo dessa bandeira.

Desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, é a primeira vez que há uma forte divisão entre o bloco que promoveu o golpe. A divergência é sobre o nome que poderia substituir o presidente Michel Temer em caso de renúncia ou cassação no processo que será julgado no próximo dia 06 de junho pelo Tribunal Superior Eleitoral.

“Já falaram do nome do tucano Tasso Jereissati, Nelson Jobim, Carmem Lúcia e até do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, mas não há unidade para substituir Michel Temer. E esse tempo que estão dando é também de negociação para que o Temer possa viajar para Miami”, disse Rui Facão.

A ameaça de ruptura definitiva com a Constituição e com o Estado Democrático de Direito é uma preocupação latente do presidente do PT.  De acordo com Falcão, a tentativa de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a violenta repressão aos movimentos sociais durante a Marcha da Classe Trabalhadora, realizada no último dia 24 em Brasília, são sinais que devem ser compreendidos, principalmente com o aumento da tensão entre a agenda neoliberal versus a agenda democrática.

“A utilização do Exercito através de um decreto ilegal que serve como uma tentativa de intimidação às manifestações populares. Ou seja, não ajam com muita contundência porque há sempre aqui as forças armadas para conter o movimento”, afirmou o presidente do PT.

 A unidade das forças conservadoras é em torno da agenda de retirada de direitos, a crescente repressão e a tentativa de prisão de Lula, mas para Walter Sorrentino, elas também atuam com unidade e luta e por isso estão divididas neste momento e por isso é importante unificar ainda mais os setores progressistas e as camadas democráticas da sociedade.

“O movimento das Diretas, Já pode reordenar as relações políticas que estão em crise e por isso o nosso movimento precisa ampliar, unir vastas forças em uma frente ampla para produzir uma ação política em torno dessa bandeira”, indicou Walter Sorrentino.

Agenda para o Brasil

Para apresentar uma agenda propositiva à sociedade brasileira, a Frente elaborou um Plano Popular de Emergência com um conjunto de propostas para o Brasil.

As proposições contidas no plano têm como objetivo inverter, no mais curto espaço de tempo, os indicadores econômicos, sociais e políticos que resultaram do interregno golpista. Também fazem conexão com as reformas estruturais necessárias para romper com o modelo de capitalismo dependente que tem produzido, entre outras chagas, o empobrecimento dos trabalhadores, especialmente das trabalhadoras e da população negra, injustiça social extrema, perda de independência e recessão econômica, ao mesmo tempo em que concentra renda, riqueza e propriedade nas mãos de um punhado de barões do capital.

O centro do plano trata de implementar um projeto nacional de desenvolvimento que vise a fortalecer a economia nacional, o desenvolvimento autônomo e soberano, enfrentar a desigualdade de renda, de fortuna e de patrimônio como veios fundamentais para a reconstrução da economia brasileira, para a recomposição do mercado interno de massas, da indústria nacional, da saúde financeira do Estado e da soberania nacional, um modelo social baseado no bem-estar e na democracia.

Nova Greve Geral

O principal apontamento quanto o calendário da Frente é concentrar na realização e mobilização da greve geral que, de acordo com o Fórum das Centrais Sindicais, será realizada em um dia dentre 26 e 30 de junho.

A greve geral será contra as reformas da previdência e trabalhistas, mas desta vez deve ter também a bandeira por eleições diretas para presidente.