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“Não pense. Só trabalhe”. Slogan digno de um governo que não valoriza a cultura

“Não pense. Só trabalhe”. Slogan digno de um governo que não valoriza a cultura

Por Alexandro Cruz*

Com menos de um mês de mandato, o governo interino de Michel Temer já demonstrou a que veio, por meio de ações que estão indo contra às políticas públicas de apoio social, tendo como foco a “danificação” das classes menos privilegiadas do país. Entre as medidas tomadas, uma que tem gerado muitos protestos foi a extinção do Ministério da Cultura (MinC), uma pasta que como alguns pensam, serve unicamente para bancar projetos e artistas favoráveis ao governo. O governo fez com que o ministério se transformasse em uma secretaria, ou melhor um apêndice, do Ministério da Educação, tornando-a amplamente dependente na tomada de decisões.

Em primeiro lugar, o Ministério da Educação já tem enormes problemas para serem resolvidos. Com a inclusão da Cultura, é quase notório que as atenções para esse setor deixem de ser importantes. Isso porque a educação por si só necessita constantemente inovar, ampliar e oferecer serviços de qualidade para a sociedade, o que torna um dos principais desafios aos governantes. Ou seja, com essa junção, a cultura ficará para segundo plano, já que a equipe de Temer já demonstrou o desinteresse e menosprezo sobre a pauta.

Outra teoria que precisa ser desmistificada está relacionada a importância econômica que a área cultural tem para uma nação. Muitas pessoas alegam que o Brasil passa por um momento econômico e político difícil, e por isso não é a hora de pensar em cultura, porque o brasileiro precisa colocar comida na mesa da sua família e não gastar dinheiro com eventos culturais. Errado! A cultura, ou como também é chamada de Indústria Criativa, é um importante alicerce para a economia de um país, porque ela gera renda, direta e indiretamente, não só para o próprio setor, como também para outras áreas, como turismo, transporte, mercado interno e externo. Ela é uma das ferramentas essenciais para a recuperação da economia em tempos de crise.

Para entender melhor, o setor da cultura, além de trazer conhecimento e contato direto com o mundo, também é uma parte produtiva e que gera renda e muito, mas muito emprego no país. Tanto que a indústria cultural ou do entretenimento emprega mais que o setor automobilístico, totalizando 56% a mais de postos de trabalhos. Outro dado é um diagnóstico de 2013, IBGE e MinC, mostrando que o Brasil conta com 400 mil empresas voltadas à produção cultural, o que representa cerca de 7,8% do total no País. Esse número significa a geração de mais de 2 milhões de empregos formais, o que é equivalente a 5,2% dos postos de trabalho.

Mesmo com essa mostras, infelizmente o setor ainda não é visto como geração de renda e sim como despesas. Quem acha que o governo gasta demais com a cultura, precisa saber que o orçamento do Ministério da Cultura está entre os últimos da União, e isso que ele quase não dá para o próprio custeio, mesmo tendo a prova de que a cada real investido na indústria criativa, de 5 a 7 retornam para o Estado na forma de impostos. Sem contar, ainda, que o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria criativa brasileira chegou a R$ 126 bilhões no fim de 2013, equivalente a 2,6% do total produzido no país naquele ano. Ainda não houve divulgações recentes, mas especialistas creem que a área representará até 5% do PÌB nacional. Em resumo, é preciso mudar o pensamento e entender que a cultura é investimentos e nãos custos para uma nação.

Criado em 1985 pelo então presidente da república José Sarney, representante do mesmo partido de Temer que a está extinguindo, o Ministério da Cultura tem em seu curto histórico de vida importantes resultados como o aumento no acesso à cultura de nossa sociedade, além de um apoiador econômico e social constante para o Brasil. Uma pasta que teve importantes gestores como Gilberto Gil, que conseguiu ampliar ainda mais projetos culturais para os cidadãos, é triste vê-la ser desqualificada por um governo que não acredita na cultura como fonte de renda e desenvolvimento.

O slogan lançado por esse governo interino foi “Não pense em crise, trabalhe”. No entanto, com essas ações e a sua má vontade com o que temos de mais valioso no país, que é a nossa cultura, a frase que mais representa Temer e seus representantes é: “Não pense. Só trabalhe”.

 

*É jornalista e voluntário da Central de Mídia da Frente Brasil Popular